7 Verdades sobre empreender que você precisa saber

7 verdades sobre empreender que você precisa saber

7 verdades sobre empreender que você precisa saber. Fonte: elo7.com.br

Empreender, ser empreendedor, abrir seu próprio negócio, ser dono da sua própria empresa, ser dono do seu próprio nariz. Parece bom né?

Claro que é bom, mas se você foi acreditar em tudo que os digital influencers da vida falam, vai sair com a impressão de que é só você pensar com muita força e ficar fazendo live sete dias por semana que de repente você vai ficar rico e famoso, sua empresa vai ser parte da lista das melhores para se trabalhar e seu nome vai aparecer junto ao do Jack Ma, Tim Apple e Elon Musk.

Só que a verdade é um pouco diferente. Aqui na DNCE a gente quer o seu sucesso sempre, então aqui vão 7 verdades sobre empreender.

Neste artigo

1- Você não terá lucro por um bom tempo

Não interessa quão boa seja sua ideia, a empresa precisa de capital de giro para cumprir com suas obrigações. Os custos operacionais vão levar quase todo dinheiro que entrar nos primeiros dois anos. Até você conseguir estabelecer seu negócio, sua marca, sua reputação essa vai ser a verdade da sua empresa.

Se prepare para passar aperto. Se prepare para bancar custos da empresa com dinheiro do seu próprio bolso por um bom tempo. Empresa nova, de qualquer tamanho, tem muito poucos recursos (principalmente financeiros) à disposição no início da sua vida. A responsabilidade de honrar os compromissos financeiros cai sobre o dono ou os sócios.

O maior erro do empreendedor iniciante é ver o dinheiro entrar e achar que o dinheiro é dele. Não é. É da empresa. Ele vai receber o pro labore e a participação nos lucros. O que está na conta do banco é da empesa. O que está na caixa registradora é da empesa.

O segredo aqui é ter uma boa gestão financeira logo de saída, já abrir o negócio sabendo quais são seus custos fixos, tendo uma estimativa de quanto de insumos você precisa por mês (e ir ajustando à medida que for aprendendo mais sobre seu mercado) e reinvestir tudo que entrar para agilizar o crescimento do negócio.

A boa notícia é que uma vez que você vença esse primeiro momento, você não apenas passará a ter uma empresa financeiramente sustentável, mas terá a tranquilidade de pegar seu pró labore e participação nos lucros no final do período fiscal sabendo que os compromissos da empresa estão em dia e que o capital de giro está no caixa para dar conta dos custos operacionais.

2- Você vai trabalhar mais do que se tivesse um patrão

Muita gente pensa que vai lagar o emprego e se ver livre das responsabilidades e cobranças de quando tinha um chefe. Se você é seu chefe, você decide quando vai trabalhar, que coisas vai fazer, em que ordem, por quanto tempo. Você é o rei do castelo agora. Só que não.

Eu gosto de brincar quando alguém pergunta como é ser dono de empresa: “É ótimo! Eu não reclamo do patrão e ele não me enche a paciência“. E quando inevitavelmente perguntam o que eu faço eu digo “Eu sou o dono, o CEO, o COO, o CFO, o CTO, o cara do suporte, o cara do setor de vendas, o designer do site, a telefonista, o estagiário, o porteiro e o zelador.

Não, eu não sou oficialmente a contabilidade. Toda empresa precisa contratar um serviço de contador.

Se prepare para ter jornadas triplas de trabalho. Uma operacional no horário comercial, provendo o produto/serviço que sua empresa se predispôs a oferecer e outra administrativa, fora do horário comercial, onde você cuida de toda parte da gestão do negócio, fazendo os livros, a contabilidade, o financeiro, as postagens das redes sociais, os pagamentos dos fornecedores e dos funcionários, verificando se os pagamentos dos clientes entraram na conta… Fazendo tudo que seu chefe e as pessoas dos outros setores faziam.

Sua vida pessoal também vai sofrer. Se você pretende mesmo empreender, se certifique que a “sua outra metade” entende o esforço que será demandado de você (e consequentemente a falta de tempo e energia que isso implicará) e como isso afetará o relacionamento. Comunicação é a chave do sucesso e essa é a hora de comunicar com clareza.

O segredo aqui é ter disciplina e organização para gerar uma rotina de trabalho que otimize o uso do seu tempo, para que você consiga dar conta de tudo que precisa fazer sem enlouquecer ou desistir. Temos artigos sobre produtividade que com certeza podem ajudar nessa hora.

A boa notícia é que quanto mais você se predispõe a gerenciar sua empresa, mais você aprende sobre as nuances da gestão e do seu mercado. Você vai conhecer seu segmento como a palma da mão e vai se tornar cada vez melhor em realizar as atividades gerenciais de forma rápida e eficiente, economizando tempo para outras coisas (como voltar a ter uma vida pessoal, por exemplo…).

3- Não espere ajuda de ninguém

Parece cruel dizer isso, mas a verdade é que a empresa é sua. Na melhor das hipóteses você tem um sócio competente que vai fazer a parte dele, mas você ainda terá que fazer a sua parte. Não espere ajuda de conjugues, parentes ou amigos. Nenhuma dessas pessoas depende financeiramente do sucesso da sua empresa, logo nenhuma dessas pessoas estará comprometida com fazer o empreendimento dar certo.

Falando nisso, você sabe a diferença entre estar engajado e estar comprometido?

No café da manhã nos Estados Unidos, é comum se comer ovos com bacon. A galinha está muito engajada, acorda cedinho e coloca ovos grandes e branquinhos. O porco, comprometido, vai pra panela.

Ficou clara a diferença? Ninguém além de você (e possivelmente sócios) estará comprometido, porque ninguém tem nada de verdade a perder se seu negócio falir. Não tem dica, segredo ou boa notícia aqui. Até você ter os recursos para poder contratar pessoas qualificadas, vai ter que se virar para dar conta de cuidar de todos os aspectos do seu negócio.

Ok, tem um uma boa notícia. Você vai entender melhor seu empreendimento e as necessidades administrativas e operacionais a medida de for tocando o negócio. Com um pouco de sorte além de empreendedor vai se tornar um ótimo gestor, mas se prepare para fazer muitos cursos. Muitos mesmo. O SEBRAE tem vários cursos online gratuitos que podem ajudar nessa hora. A DNCE tem o serviço de Consultoria Online, que também pode ser instrumental.

4- Se prepare para trabalhar de graça

No setor de produtos isso não acontece de forma óbvia, é mais comum no setor de serviços. Mas o que acontece é o seguinte: Você fecha um contrato a preço de custo – a às vezes até saindo no prejuízo. É muito comum. E é necessário. Sua empresa precisa ser conhecida para que consiga mais clientes. Isso pode tomar a forma de uma promoção de lançamento, onde toda a loja está necessariamente vendendo os produtos pelo preço mínimo de forma apenas a cobrir os custos ou um provedor de serviço que dá um desconto a um cliente para garantir o fechamento do contrato, mas que só vai conseguir cobrir seus custos.

O segredo aqui é saber precificar seus serviços/produtos de forma a minimizar o impacto destes primeiros contratos/vendas. Muitas empresas acabam tendo prejuízos por não levar em consideração todos os fatores necessários para a composição de preços. Não levar todos os fatores em conta gera preços desproporcionalmente menores que não cobrem os custos da venda do produto e eventualmente geram um déficit financeiro. Bem rapidinho, se você vende brigadeiro, sua embalagem custa R$ 0,10, seu trabalho custa R$ 0,60 e as matérias primas custam (por unidade) R$ 0,30 e você vende o brigadeiro por R$ 1,30, você ainda pode estar saindo no prejuízo por não levar os custos de transporte, armazenamento e alimentação.

A boa notícia é que se o seu produto/serviço e seu atendimento forem de qualidade, você vai gerar feedback positivo dos seus clientes. Quanto mais feedback positivo, mais clientes. É bem simples. Vale lembrar também a máxima de que “Um cliente satisfeito fala de você para poucas pessoas por pouco tempo. Um cliente insatisfeito fala de você para muitas pessoas por muito tempo.

5- Presença online é importante…

Lá em 1990 existia uma máxima para websites: “Se você construir, eles virão”. Isso valia porque a Internet era nova e ainda havia muito pouco conteúdo de qualidade. Hoje, é difícil não achar alguma coisa na Internet. O problema é separar o “joio do trigo”! Existe tanto conteúdo e tanta informação errada/defasada/falsa na Internet disponível hoje que é uma tarefa e tanto conseguir informação confiável sem passar horas pesquisando.

Mesmo que seu negócio seja o modelo tradicional (brick & mortar, “tijolo e argamassa”, ou seja loja física) você ainda precisa que as pessoas tenham conhecimento de que ele existe e fácil acesso às informações sobre produtos/serviços/contatos. Considere os 4Ps do Marketing: Produto, Preço, Promoção e Praça. Produto é o que você vende, Preço é por quanto. O que interessa para gente agora são Promoção (como as pessoas sabem do seu produto) e Praça (onde seu produto é disponibilizado e quantas pessoas tem acesso a ele).

Presença online é ao mesmo tempo Praça e Promoção. É um lugar virtual onde as pessoas podem ir a qualquer momento, sem sair de casa, saber mais ou até comprar seu produto. É uma forma barata (compare o preço de um anúncio no Facebook ou no Google com um anúncio no horário nobre da sua rede local de TV) de atingir toda a população da sua região e direcionar possíveis clientes (leads) para sua loja. O comportamento do consumidor mudou e a máxima mudou junto. Bill Gates disse melhor que ninguém: “Se você não está na internet, você não existe e logo você também não conseguirá fazer vendas”.

O ideal é que seu negócio/produto/serviço tenha um site próprio, complementado por perfis nas redes sociais que redirecionam para ele. Por quê? Porque o site é seu e lá você manda. O site é seu e você tem liberdade para colocar informações na ordem que mais beneficiam seu negócio. O site é seu e você controla sua narrativa. Muitas redes sociais hoje já possuem ferramentas que permitem vendas online, mas quase todas (se não todas) cobram uma taxa no valor da venda. Some isso à taxa da empresa que gerencia a cobrança por cartão ou a emissão do boleto, os impostos e custos operacionais e logo você vai perceber o quanto sua margem de lucro caiu. Você pode ler mais sobre isso neste artigo nosso aqui.

6- …mas não deve ser seu único foco

Agora um grandessíssimo problema de empreendedores iniciantes é não entender, e consequentemente se distrair, do seu Core Business. O Core Business é a razão do seu negócio ser. Para ficar claro, um exemplo simples e definitivo: O Core Business de uma padaria é vender pão. O Core Business de uma Farmácia é vender remédios. O problema é que, especialmente para negócios novos que são de serviços e/ou não estão no modelo tradicional (sem loja/escritório), seu P de Praça é a própria internet. Seu P de Promoção são as redes sociais.

É muito fácil perder a foco do que é que seu negócio deveria estar fazendo (vendendo o serviço e agradando os clientes) e se dedicar inteiramente a criar postagens, textos, artigos, vídeos, entrevistas, promoções, sorteios, gincanas (agora em 2020 a bola da vez foram as lives)… Não estamos dizendo que não se deve fazer isso. Estamos avisando que você não pode deixar que isso vire a razão de ser da sua empresa.

A boa notícia é que isso é relativamente fácil de se evitar através da gestão por objetivos. Cada postagem (seja ela artigo, foto ou live) deve estar atrelada a um objetivo específico, que por sua vez deve estar atrelado a um direcionador estratégico. Desta forma cada peça que vai para as redes sociais, cada artigo que vai para o blog, cada live, contribuirá para avançar alguma meta da empresa.

O segredo é perguntar: “O que eu quero que aconteça?” antes de perguntar “O que eu vou postar hoje?”. Pensar várias postagens com antecedência, todas baseadas num objetivo é planejar. E planejar aumenta as chances de sucesso de qualquer coisa.

7- Planejamento é imprescindível, mas não infalível

Vou direto ao ponto aqui. Você pode fazer tudo certo e ainda fracassar. É uma triste verdade que muitos empreendedores tiveram que aprender das formas mais amargas possíveis. Não existe lado bom nem segredo aqui. A sombra do fracasso vai sempre acompanhar seu negócio, quando você tem a ideia, nas horas difíceis, no fechamento dos grandes contratos, nos prêmios, nas entrevistas para TV e principalmente nas crises.

Isso acontece porque não podemos controlar todos os aspectos da vida humana. Se fosse assim, seria simples dizer “ei você, pague por isso”, “presidente, resolva esse problema”, “prefeito retire esse imposto”, “mercado internacional, se acalme pro dólar baixar” e tudo resolvido. Ah sim, faltou dizer “vocês aí, ninguém toca nesse nicho de mercado, ele é só meu”. Os fatores internos podem ser gerenciados com certa facilidade. Você tem um colaborador que na verdade é um sabotador? Demita. Sua margem de lucro é menor que a média do seu nicho? Reveja a estrutura de custos e os processos produtivos. Mas e os fatores externos (legislações, opinião pública, questões sociais, novas tecnologias, panorama político, cenário econômico)? Esses você como empreendedor tem muito pouco, quando não nenhum, controle.

Planejar é a única forma possível para mitigar essa situação. Veja que eu digo mitigar, não resolver ou eliminar. Você nunca terá 100% de controle ou certeza. O plano de negócios delimita seu negócio, seu produto/serviço, o mercado onde atuará e faz análises preliminares sobre concorrentes, clientes, fornecedores e custos. O planejamento estratégico lhe permite avaliar quais fatores externos tem maior impacto para seu negócio e cruzar estas informações com os objetivos da empresa, de forma a criar direcionadores estratégicos que levam a ações concretas. Com planejamento, você pelo menos está sempre ciente de onde os problemas estão e como podem afetar sua empresa.

Empreender é um salto no escuro. Mas com planejamento, vira um salto no escuro com uma lanterna de mão.

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